Contação de Histórias
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A pena encantada
Era uma vez um rei muito mau. Ele não gostava de seres mágicos, e ordenava que eles fossem aprisionados na gruta escura.
A gruta escura era um lugar encantado. Quem lá entrasse, perdia seus poderes mágicos e ficava percorrendo sempre o mesmo caminho, sem conseguir localizar a saída. Temerosos de ficarem perdidos naquele labirinto, os duendes, os gnomos, os elfos, as fadas e até mesmo as bruxas se afastaram daquele reino. Mas a distância era apenas física, porque o pensamento deles se mantinha preso à desventura dos amiguinhos capturados.
Certo dia, o inesperado aconteceu... Samuel, um contador de histórias, ignorando todos os conselhos e advertências dos amigos, resolveu fazer uma visita àquele reino voltado exclusivamente para esta realidade.
Embora Samuel fosse um sonhador, ele não tinha o pensamento ancorado nas nuvens!... Ele acreditava na magia, e os seus sonhos eram luminosos, dourados e tangíveis. Ele amava a fantasia porque ela emprestava suas cores alegres a esta realidade sombria.
Por mais que os amigos de Samuel, ao vê-lo partir, e os habitantes daquele reino, onde ele se instalara, dissessem que ele era louco em desafiar o rei, ele permanecia tranquilo, com um sorriso sereno iluminando sua personalidade cativante.
O próprio rei, em outras circunstâncias, teria sentido admiração e respeito por Samuel. Mas como ele poderia convidar para morar em seu castelo e colocar sob sua proteção um homem que contrariava suas ordens e proibições?!... Não!... A realidade era a rainha suprema daquele reino, e a fantasia precisava ser pisoteada e banida!... Quanto a Samuel, o rei jurou que ele teria o fim que merecia: faria companhia aos seres que tanto amava, na gruta escura.
Ser aprisionado na gruta escura não era o fim que Samuel merecia, mas era certamente a oportunidade que ele desejava. Dois anos antes, ele havia entrado em uma loja de livros usados, para renovar o seu repertório, e encontrou uma pena dentro de um dos livros que adquiriu. Nesse livro, havia uma história sobre o príncipe da terra da fantasia. De posse de uma pena encantada, ele libertou os seres mágicos da opressão de um rei que condenava a magia.
Samuel não perderia por nada a oportunidade de verificar se a pena era mesmo encantada. Quando ele entrou na gruta escura, contou aos serezinhos que possuía a pena e que os libertaria. Embora eles estivessem muito tristes, ainda conseguiram rir da desgraça, e um deles exclamou: “Tolo!... Você não deve acreditar em tudo o que lê!... Nós existimos, mas nem tudo o que dizem sobre nós é verdadeiro!... Se nós, que possuíamos poderes mágicos, ficamos presos nesta armadilha, como você e essa sua pena poderiam nos libertar?!... Procure um lugar para esperar a morte e mantenha a boca fechada!... Você ainda tem sorte de ser mortal!... Para nós, esta prisão será eterna!...”.
Em meio àquela escuridão, Samuel não conseguia ver os seres que se reuniam ao seu redor. De nada adiantaria rebater o que um deles dissera!... Ele teria que agir e provar que a pena era mesmo encantada!...
Ele retirou a pena do bolso da camisa, fechou os olhos e concentrou toda a sua energia no desejo de que a história que ele tinha lido fosse real, de que a pena fosse encantada, e de que, após se tornar o príncipe da terra da fantasia, teria permissão para viver ao lado daquelas criaturas mágicas. Era esse o grande sonho de Samuel: pertencer a uma realidade mágica!...
E a magia que a pena guardara durante séculos começou a funcionar... O brilho, no início tímido, aos poucos foi se intensificando e só se extinguiu depois que todos os seres haviam recuperado seus poderes mágicos. O encantamento da gruta escura tinha sido desfeito... Os raios do sol iluminavam e revelavam a saída. Os seres mágicos sorriam e endereçavam olhares de agradecimento a Samuel.
O coração de Samuel também estava em festa!... Ele se sentia responsável pelo destino daquelas criaturinhas tão frágeis e, ao mesmo tempo, tão poderosas!... Após a coroação, uma fada entregou a Samuel um cálice que continha a água da fonte da juventude. Ele agradeceu sorrindo e bebeu o líquido que o tornaria imortal
quarta-feira, 29 de julho de 2015
A Cicatriz
Um menino tinha uma cicatriz no rosto,
as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado,
na realidade quando seus colegas de colégio o viam, franziam a testa porque a cicatriz era muito feia.
Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não freqüentasse mais o colégio. O professor levou o caso à diretoria do colégio.
A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão:
Que não poderia tirar o menino do colégio,
e que conversaria com o menino e ele seria o último a entrar em sala de aula
e o primeiro a sair, desta forma nenhum aluno via o rosto do menino,
a não ser que olhassem para trás.
O professor achou magnífica a idéia da diretoria,
sabia que os alunos não olhariam mais para trás.
Levado ao conhecimento do menino a decisão, ele prontamente aceitou a imposição do colégio,
com uma condição:
Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula,
para dizer o por quê daquela CICATRIZ.
A turma concordou,
e no dia marcado o menino entrou, dirigiu-se à frente da sala de aula e começou a relatar:
- Sabe turma, eu entendo vocês,
na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri: minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa e passava roupa para fora,
eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade...
A turma estava em silêncio atenta a tudo.
O menino continuou:
- Além de mim, havia mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida.
Silêncio total em sala.
-... Foi aí que não sei como,
a nossa casa que era muito simples, feita de madeira, começou a pegar fogo. Minha mãe correu até o quarto em que estávamos, pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora. Havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira pegavam fogo e estava muito quente...
Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar,
pois tinha que pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chamas.
Só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali
não deixaram. Eu via minha mãe gritar:
- Minha filhinha está lá dentro!
Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava,
mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha...
Foi aí que decidi.
Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar.
Saí por entre as pessoas sem ser notado e quando perceberam eu já tinha entrado na casa.
Havia muita fumaça, estava muito quente,
mas eu tinha que pegar minha irmãzinha.
Eu sabia o quarto em que ela estava.
Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito...
Neste momento vi cair alguma coisa,
então me joguei em cima dela para protegê-la,
e aquela coisa quente encostou em meu rosto...
A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada. O menino continuou:
- Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha, me beija porque sabe que é marca de AMOR.
Vários alunos choravam,
sem saber o que dizer ou fazer,
mas o menino foi para o fundo da classe e quietamente sentou-se.
Para você que LEU esta história,
pense o seguinte: o mundo está cheio de CICATRIZES.
Não falo da CICATRIZ visível mas das cicatrizes que não se vêem.
Estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas,
seja com palavras ou nossas ações.
Autor Desconhecido
quarta-feira, 15 de julho de 2015
O Gigante que gostava de ouvir histórias
O GIGANTE QUE GOSTAVA DE OUVIR HISTÓRIAS
Era uma vez um gigante
Que gostava de ouvir histórias.
E os homenzinhos do reino vizinho,
Temendo o gigante, inventavam,
Todos os dias, histórias e mais histórias...
E o gigante se divertia
Com as histórias
Que os homenzinhos
Passavam o dia inventando.
Entretanto, houve um dia
Em que os homenzinhos
Pareciam estar todos
De cabeça vazia.
Nada, nenhuma ideia surgia.
E o gigante esperava, se impacientava,
E o medo dos homenzinhos crescia.
Conduzido pelo temor,
Um dos homenzinhos começou
A contar uma história que todos,
Naquele reino, conheciam:
“Era uma vez um gigante
Que gostava de ouvir histórias.
E os homenzinhos do reino vizinho,
Temendo o gigante, inventavam,
Todos os dias, histórias e mais histórias...
E o gigante se divertia
Com as histórias
Que os homenzinhos
Passavam o dia inventando.
Entretanto, houve um dia
Em que os homenzinhos
Pareciam estar todos
De cabeça vazia.
Nada, nenhuma ideia surgia.
E o gigante esperava, se impacientava,
E o medo dos homenzinhos crescia.
Conduzido pelo temor,
Um dos homenzinhos começou
A contar uma história que todos,
Naquele reino, conheciam:”
Você ainda está aí,
Prestando atenção à história?!
Deseja ouvi-la novamente?!
Você parece aquele gigante
Que gostava de ouvir histórias.
E os homenzinhos do reino vizinho..
A Felicidade está em suas mãos
A FELICIDADE DO REINO ESTÁ EM SUAS MÃOS
O que você pensa que eu, Caetano Augusto Petrarca dos Anjos, vim fazer aqui?!... Se você imaginou que eu tivesse vindo buscar uma solução para o problema dos homenzinhos, enganou-se terrivelmente, porque esse conflito já foi resolvido de modo inteligente e pacífico. Eu ouvi dizer que, certo dia, um dos homenzinhos chamou o gigante e disse: “Se você deseja continuar ouvindo as histórias, terá que nos auxiliar na realização das tarefas. Desse modo, sobrará tempo para todos nós nos divertirmos”. O gigante, que adorava as histórias que os homenzinhos contavam, concordou em ajudá-los. O reino dos homenzinhos prosperou, e todos viveram felizes para sempre.
Você deve estar se perguntando: “Se o Caetano não veio para me falar sobre a história do gigante, por que ele ainda está aqui?!...” Espere só um minuto que eu já satisfarei a sua curiosidade... Existe um problema sim, mas é em outro reino... Um reino que está sendo ameaçado por um dragão que cospe enormes labaredas!... E o rei me enviou para ordenar que você quebre o feitiço. Você parece surpreso com o que eu disse, mas é a mais pura verdade: o rei descobriu que o dragão é um príncipe encantado. O feitiço só poderá ser desfeito se uma criança de coração puro ler, em voz alta, três histórias que tenham um final feliz.
Eu imagino o que você deve estar pensando: “O Caetano só pode estar mentindo, porque é impossível que, naquele reino, não existam crianças!... Todas elas têm o coração puro.”
Concordo plenamente: qualquer criança daquele reino poderia quebrar o encanto. Mas existe um pequeno detalhe: elas não sabem ler. É por esse motivo que o rei precisa de sua ajuda.
Quando você terminar de ler as histórias, o dragão voltará a ser um príncipe. Ele se apaixonará pela filha do rei, e todos, naquele reino, viverão felizes para sempre. Mas lembre-se: se você não ler as histórias, o dragão continuará sendo uma ameaça para os habitantes daquele reino. É você quem decide como essa história irá terminar
A Bruxinha patrulheira
CAETANO, RUI E A BRUXINHA PATRULHEIRA
Caetano: Por que não estamos conseguindo fazer a postagem?!... O que está acontecendo?!...
Rui: É sempre você quem me pede para não fazer perguntas difíceis!... Você conseguiu entrar em contato com a Sisi?
Caetano: Não. É bem provável que ela também esteja tentando se comunicar conosco. Você não tem a sensação de estar sendo observado?!...
Rui: Talvez Verônica esteja tentando entrar em contato.
Caetano: Não. Não é Verônica!... Eu receio que estejamos presos em uma dimensão desconhecida. Eu sinto uma presença que não é benéfica!...
Bruxinha Patrulheira: Você está sentindo a presença da Bruxa Destruidora de Histórias, porque foi aprisionado em uma de suas câmaras. Você e o garoto devem ser muito especiais!... Aquela bruxa horrorosa conseguiu prendê-los, mas não conseguiu levá-los.
Rui: Quem é você?!...
Bruxinha Patrulheira: Sou uma das Bruxas Patrulheiras. Eu e minhas amigas protegemos os contos de fada. A Bruxa Destruidora de Histórias captura vários personagens e depois os obriga a atuarem em histórias que eles desconhecem. Os contos ficam embaralhados, e os personagens não conseguem mais se libertar. A que história vocês pertencem?
Caetano: Não pertencemos a história nenhuma.
Bruxinha Patrulheira: Mas estão escrevendo sua própria história!... Quem os criou os amou tanto que lhes deu vida. Vocês são inteligentes demais para se encaixarem em uma história que os obrigaria a repetir sempre as mesmas falas. A Bruxa Destruidora de Histórias deve ter ficado furiosa por não ter conseguido colocar as mãos em vocês. Fechem os olhos e voltem à dimensão à qual pertencem.
Rui: Pai, agora que estamos de volta, poderíamos escrever uma história contando o que aconteceu.
Caetano: Esqueça, Rui, porque ninguém acreditaria!... Seria mais fácil pensarem que estamos mentindo ou, na melhor das hipóteses, inventando!... A verdade é que ninguém acreditaria em nós!...
O sonho
A REALIZAÇÃO DO SONHO DE JEREMIAS
Jeremias passava horas na floresta, tentando localizar o portal que o conduziria à dimensão dos sonhos realizados. Muitas pessoas diziam que outras dimensões não existiam, mas Jeremias parecia não ouvi-las. Todas as manhãs, ele saía de casa e atravessava a estrada que separava a vila da floresta.
Houve uma ocasião em que Jeremias demorou muito a voltar para a vila, e seus amigos começaram a ficar preocupados!... Quando ele retornou, o sorriso que trazia despertou a curiosidade de todos.
Intrigados, os amigos perguntaram se ele havia encontrado o portal, e Jeremias, ostentando aquele sorriso enigmático, preferiu calar-se. A partir daquele dia, em vez de passar horas na floresta em busca do portal, Jeremias começou a dedicar-se aos estudos.
Sete anos depois, Jeremias realizava o seu sonho de tornar-se advogado. Ele sorriu daquele modo enigmático quando ouviu um amigo comentar: “Eu lhe disse que aquela história de portal era bobagem!... Você só se formou, porque trabalhou e estudou arduamente!...”
Enquanto Jeremias permanecia sorrindo, a lembrança do que aconteceu na última vez em que ele entrara na floresta, em busca do portal, visitava a sua mente e acariciava o seu coração!... Embora ele tivesse localizado a árvore cujo tronco abrigava o portal, ele não teve acesso à dimensão dos sonhos realizados. Em vez disso, ele viu o seu reflexo estampado no tronco da árvore e reconheceu sua própria voz quando ouviu as palavras: “A descoberta do portal não lhe entregará o seu sonho realizado, mas plantará sementes de esperança em seu coração. Eu sou você daqui a sete anos. Se você perseverar durante esse tempo, logo estará formado e será um advogado próspero como eu. Apesar disso, não pense que poderemos nos encontrar novamente, porque eu estarei sempre muitos passos à sua frente. Eu sou o seu entusiasmo e planto sonhos em seu coração. Os sonhos só perecerão se você desistir deles.”
sexta-feira, 26 de junho de 2015
A lenda do Sol
Característica da Lenda do Sol
Lenda do Sol
Para os índios o sol era gente e se chamava KUANDÚ.
Kuandú tinha três filhos: um é o sol que aparece na seca; o outro, mais
novo , sai na chuva e o filho do meio ajuda os outros dois quando estão
cansados. Há muito tempo um índio teria comido o pai de kuandú. Por
isso este queria se vingar. Uma vez Kuandú estava muito bravo e foi
para o mato pegar coco. Lá encontrou o índio em uma palmeira inajá.
Kuandú disse que ele ia morrer, mas o índio foi mais rápido acertando-o
com um cacho de coco na cabeça. Foi aí tudo escureceu. As crianças
começaram a morrer de fome porque o índio não podia trabalhar na roça e
nem pescar pois estava tudo escuro. A mulher de Kuandú mandou o filho
sair de casa e ficou claro de novo. Mas só um pouco porque era muito
quente para ele. O filho não agüentou e voltou para casa. Escureceu de
novo. E assim ficaram os 3 filhos de Kuandú entrando e saindo de casa.
Portanto , quando é sol forte , é o filho mais velho que está fora de
casa. Quando é sol mais fraco é o filho mais novo. O filho do meio só
aparece quando os irmãos ficam cansados.
(Lenda indígena )
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