sexta-feira, 26 de junho de 2015
A lenda do Sol
Característica da Lenda do Sol
Lenda do Sol
Para os índios o sol era gente e se chamava KUANDÚ.
Kuandú tinha três filhos: um é o sol que aparece na seca; o outro, mais
novo , sai na chuva e o filho do meio ajuda os outros dois quando estão
cansados. Há muito tempo um índio teria comido o pai de kuandú. Por
isso este queria se vingar. Uma vez Kuandú estava muito bravo e foi
para o mato pegar coco. Lá encontrou o índio em uma palmeira inajá.
Kuandú disse que ele ia morrer, mas o índio foi mais rápido acertando-o
com um cacho de coco na cabeça. Foi aí tudo escureceu. As crianças
começaram a morrer de fome porque o índio não podia trabalhar na roça e
nem pescar pois estava tudo escuro. A mulher de Kuandú mandou o filho
sair de casa e ficou claro de novo. Mas só um pouco porque era muito
quente para ele. O filho não agüentou e voltou para casa. Escureceu de
novo. E assim ficaram os 3 filhos de Kuandú entrando e saindo de casa.
Portanto , quando é sol forte , é o filho mais velho que está fora de
casa. Quando é sol mais fraco é o filho mais novo. O filho do meio só
aparece quando os irmãos ficam cansados.
(Lenda indígena )
Lenda da Lua
Características da Lenda da Lua
Lenda da Lua
A lenda indígena da Lua, conta que Manduka namorava sua
irmã. Todas as noites ia deitar-se com ela, mas não mostrava o rosto
e nem falava , para não ser identificado. A irmã, muito curiosa,
tentando descobrir quem era que deitava com ela, passou tinta de
jenipapo no rosto de Manduka. Ele ao levantar-se pela manhã lavou o
rosto , porém as marcas da tinta não saiu. Foi assim que ela
descobriu com quem deitava-se. Ficou muito brava, com muita vergonha
e chorou muito. Manduka também ficou com vergonha pois todos ficaram
sabendo o que ele tinha feito. Então Manduka subiu numa árvore que
ia até o céu. Depois desceu para dizer a sua tribo que ia voltar
para árvore e não desceria nunca mais. Levou com ele uma cotia pra
não sentir-se muito só. Foi assim que Manduka virou a lua. E é por
isso que a lua tem manchas escuras, umas são por causa da tinta de
jenipapo que a irmã passou em seu rosto e as outras manchas na lua
é a cotia que ele levou,
comendo um coco.
(Lenda indígena )
A lenda do Haloween
Lenda do Halloween
A Lenda do Halloween
As Lendas do Halloween, é muito popular nos Estados Unidos e Inglaterra, celebrada no dia 31 de outubro.
Dia das bruxas
O Halloween acontece nas noites dos dias 31 de Outubro que são geralmente celebradas com festas a fantasia, fogueiras e com crianças fantasiadas de monstros, fantasmas, bruxas, etc., visitam as casas e recebem doces e dinheiro (brincadeira de "trick or treat", "travessuras ou doces").
Costumam furar aboboras em forma de face humana e dentro colocam velas acesas para dar a ideia de terror.
Os sacerdotes Druidas da Gra-Bretanha Antiga acreditaram que as bruxas, demonios e espritos de pessoas mortas ficavam pairando na vespera de 1 de novembro.
Para se proteger dos maus espiritos, os Druidas ofereciam a eles coisas para comer e se disfarcavam com mascaras, para que os espritos nao lhes fizessem mal. Levado para os Estados Unidos pelos colonizadores, o Halloween, hoje em dia, eh uma das festas mais populares em muitos paises, inclusive aqui no Brasil.
A igreja catolica designou o dia 1 de novembro para honrar todos os santos (All Saints or All Hallows). A noite anterior ao Dia de Todos os Santos (All Saints Day) era chamada Noite de Todos os Santos (All Hallows Even). Esta expressao (All Hallows Even) foi abreviada para Halloween.
Na Vespera do Dia de Todos os Santos.
Alguns significados simbólicos
caldeirão: fazia parte da cultura - como mandaria a tradição. Dentro dele, os convidados devem atirar moedas e mensagens escritas com pedidos dirigidos aos espíritos.
vassoura: simboliza o poder feminino que pode efetuar a limpeza da eletricidade negativa. Equivocadamente, pensa-se que ela servia para transporte das bruxas.
moedas: devem ser recolhidas no final da festa para serem doadas aos necessitados.
aranha - simboliza o destino e o fio que tecem suas teias, o meio, o suporte para seguir em frente.
morcego - simbolizam a clarividência, pois que vêem além das formas e das aparências, sem necessidades da visão ocular. Captam os campos magnéticos pela força da própria energia e sensibilidade.
sapo - está ligado à simbologia do poder da sabedoria feminina, símbolo lunar e atributo dos mortos e de magia feminina.
gato preto - símbolo da capacidade de meditação e recolhimento espiritual, autoconfiança, independência e liberdade. Plena harmonia com o Universo
Cores:
Laranja - cor da vitalidade e da energia que gera força. Os druidas acreditavam que nesta noite, passagem para o Ano Novo, espíritos de outros planos se aproximavam dos vivos para vampirizar a energia vital encontrada na cor laranja.
Preto - cor sacerdotal das vestes de muitos magos, bruxas, feiticeiras e sacerdotes em geral. Cor do mestre.
Roxo - cor da magia ritualística.
abóbora: simboliza a fertilidade e a sabedoria
vela: indica os caminhos para os espíritos do outro plano astral.
Lenda da caipora
Características da Lenda da Caipora
Lenda da Caipora
A lenda da Caipora é bastante evidenciada em todo o Brasil. Sua
presença vem desde os indígenas, é deles que surgiu este mito. Segundo
muitas tribos , principalmente as do Tronco Lingüístico Tupi-Guarani,
a Caipora era um Deus que possuía como função e dom o Controle e
Guarda das Florestas, e tudo que existia nela.Com o contato com outras
civilizações não-indígenas , esta divindade foi bastante modificada
quanto a sua interpretação , passando a ser vista como uma criatura
maligna.
A Caipora apronta toda sorte de ciladas para o caçador , sobretudo
aquele que abate animais além de suas necessidades. Afugenta as presas,
espanca os cães farejadores , e desorienta o caçador simulando os
ruídos dos animais da mata. Assobia , estala os galhos e assim dá
falsas pistas fazendo com que ele se perca no meio do mato. Mas, de
acordo com a crença popular. É sobretudo nas sextas-feiras, nos
domingos e dias santos, quando não se deve sair para a caça, que a sua
atividade se intensifica. Mas há um meio de driblá-lo. A Caipora
aprecia o fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair para caçar no
mato , na noite de quinta-feira deve-se deixar fumo de corda no tronco
de uma árvore e dizer: " Toma, Caipora , deixa eu ir embora ". A boa
sorte de um caçador é atribuída também aos presentes que ele oferece.
Assim, por sua vez, os homens encontram um meio de conseguir seduzir a
caipora. Mas fracasso na empreitada é atribuído aos ardis da entidade
A lenda do negrinho do Pastoreio
Lenda do Negrinho do Pastoreio
A Lenda do Negrinho do Pastoreio É meio africana meio cristã.
Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ‘‘Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece’’, disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
A Lenda do Boto cor de Rosa
Lenda do Boto Cor de Rosa
A Lenda do Boto Cor de Rosa
Conta na Amazônia, que os botos do rio Amazonas fazem charme para as moças que vivem em vilas e cidades à beira-rio.
Eles as namoram e, depois, tornam-se os pais de seus filhos!
No início da noite, o boto se transforma em um belo homem e sai das águas, muito bem vestido e de chapéu, para esconder o buraco que todos os botos têm no alto da cabeça (o buraco serve para respirar o ar, já que os botos são mamíferos e têm pulmões, como você). O rapaz-boto vai aos bailes, dança, bebe, conversa e conquista uma moça bonita. Mas, antes do dia surgir, entra de novo na água do rio e se transforma de novo em um mamífero das águas.
O boto verdadeiro
O verdadeiro boto é um mamífero da ordem dos cetáceos. Há um grupo deles que vive exclusivamente em água doce, de rio. O que vive na América do Sul tem o corpo alongado, de dois a três metros de comprimento. Tem grandes nadadeiras peitorais e cerca de 134 dentes. São cinzentos, mas clareiam com a idade e ficam cor-de-rosa!
Botos comem peixes e, às vezes, frutos que caem no rio. A fêmea tem um filhote, que permanece ao seu lado até ficar adulto.
Parece que as lendas sobre "botos-homens" só surgiram no Brasil a partir do século XVIII. Pelo menos, nenhum pesquisador encontrou registros mais antigos dessa lenda! Mas, na mitologia dos índios tupis, há um deus - o Uauiará - que se transforma em boto. Esse deus adora namorar belas mulheres.
Até hoje, mães solteiras na região do Amazonas dizem que seus filhos são filhos "do boto"! O olho do boto, seco, é considerado um ótimo amuleto para conseguir sucesso no amor. Se o homem quer conquistar uma mulher, dizem que ele deve olhar para ela através de um olho de boto. Desse jeito, ela não vai poder resistir - e vai ficar perdidamente apaixonada..
A lenda do Boitatá
lenda do Boitata
O Boitatá é um Monstro com olhos de fogo, enormes, de dia é quase cego, à noite vê tudo.
Diz a lenda que o Boitatá era uma espécie de cobra e foi o único sobrevivente de um grande dilúvio que cobriu a terra. Para escapar ele entrou num buraco e lá ficou no escuro, assim, seus olhos cresceram. Desde então anda pelos campos em busca de restos de animais. Algumas vezes, assume a forma de uma cobra com os olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e persegue os viajantes noturnos.
Às vezes ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata. No Nordeste do Brasil é chamado de "Cumadre Fulôzinha". Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.
Dizem ainda que ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas, e por onde passa, vai tocando fogo nos campos. Outros dizem que ele protege as matas contra incêndios.
A ciência diz que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo, que são os gases inflamáveis que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos, e que visto de longe parecem grandes tochas em movimento.
Nomes comuns: No Sul; Baitatá, Batatá, Bitatá (São Paulo). No Nordeste; Batatão e Biatatá (Bahia). Entre os índios; Mbaê-Tata.
Origem Provável: É de origem Indígena. Em 1560, o Padre Anchieta já relatava a presença desse mito. Dizia que entre os índios era a mais temível assombração. Já os negros africanos, também trouxeram o mito de um ser que habitava as águas profundas, e que saía a noite para caçar, seu nome era Biatatá.
É um mito que sofre grandes modificações conforme a região. Em algumas regiões por exemplo, ele é uma espécie de gênio protetor das florestas contra as queimadas. Já em outras, ele é causador dos incêndios na mata. A versão do dilúvio teve origem no Rio Grande o Sul.
Uma versão conta que seus olhos cresceram para melhor se adaptar à escuridão da caverna onde ficou preso após o dilúvio, outra versão, conta que ele, procura restos de animais mortos e come apenas seus olhos, absorvendo a luz e o volume dos mesmos, razão pela qual tem os olhos tão grandes e incandescentes.
Lenda do Currupira
Lenda do Curupira
O Curupira gosta de sentar na sombra das mangueiras para comer os frutos.
Lá fica entretido ao deliciar cada manga. Mas se percebe que é observado, logo sai correndo, e numa velocidade tão grande que a visão humana não consegue acompanhar. "Não adianta correr atrás de um Curupira", dizem os caboclos, "porque não há quem o alcance".
A função do curupira é proteger as árvores, plantas e animais das florestas. Seus alvos principais são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória.
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Outra tática usada é a criação de imagens ilusórias e assustadoras para espantar os "inimigos das florestas".
História do Curupira
Estava o Curupira andando pela floresta, quando encontrou um índio caçador que dormia profundamente. O Curupira estava com muita fome e cismou em comer o coração do homem. Assim, fez com que ele acordasse. O caçador levou um susto, mas como ele era muito controlado, fingiu que não estava com medo.
O Curupira disse-lhe:
- Quero um pedaço de seu coração!
O Caçador, que era muito esperto, lembrando-se que havia atirado num macaco, entregou ao Curupira um pedaço do coração do macaco. O Curupira provou, gostou e quis comer tudo.
- Quero mais! Quero o resto! – pediu ele. O Caçador entregou-lhe o que havia sobrado, mas, em troca, exigiu um pedaço do coração do Curupira.
- Fiz sua vontade, não fiz? Agora você deve dar-me em pagamento um pedaço de seu coração, disse ele.
O Curupira não era muito esperto e acreditou que o Caçador havia arrancado o próprio coração, sem ter sofrido nenhuma dor e sem haver morrido.
- Está certo, respondeu o Curupira, empreste-me sua faca.
O Caçador entregou-lhe a faca e afastou-se o mais que pôde, temendo levar uma facada. O Curupira, porém, estava sendo sincero. Enterrou a faca no próprio peito e tombou, sem vida.
O Caçador não esperou mais, disparou pela floresta com tal velocidade que deixaria para trás os bichos mais velozes…
Quando chegou à aldeia, estava com a língua de fora e prometeu a si mesmo não voltar nunca mais à floresta. Pensou: “Desta escapei. Noutra é que não caio”
Durante um ano, o índio não quis saber de entrar na mata. Quando lhe perguntavam por que não saía mais da aldeia, ele se desculpava, dizendo estar doente.
O Caçador tinha uma filha que era muito vaidosa. Como haveria uma festa dentro de poucos dias, ela pediu ao pai um colar diferente de todos os que ela já tinha visto.
O índio, pai dedicado, começou a pensar num modo de satisfazer o desejo da filha. Lembrou-se, então, dos dentes verdes do Curupira. Daria um bonito colar, sem dúvida.
Partiu para a floresta e procurou o lugar onde o gênio havia morrido. Depois de algumas voltas, deu com o esqueleto meio encoberto pelo mato. Os dentes verdes brilhavam ao sol, parecendo esmeraldas.
Conseguindo vencer o receio, apanhou o crânio do Curupira e começou a bater com ele no tronco de uma árvore, para que se despedaçasse e soltasse os dentes.
Imaginem a sua surpresa quando, de repente, viu o Curupira voltar à vida! Ali estava ele, exatamente como antes, parecendo que nada havia acontecido!
Por sorte, o Curupira acreditou que o Caçador o ressuscitara de propósito e ficou todo contente:
- Muito obrigado! Você devolveu-me a vida e não sei como agradecer-lhe!
O índio percebeu que estava salvo e respondeu que o Curupira não tinha nada que agradecer, mas ele insistia em demonstrar sua gratidão. Pensou um pouco e disse:
- Tome este arco e esta flecha. São mágicos. Basta que você olhe para a ave ou animal que deseja caçar e atire. A flecha não errará o alvo. Nunca mais lhe faltará caça. Mas, agora, ouça bem: jamais aponte para uma ave ou animal que esteja em bando, pois você seria atacado e despedaçado pelos companheiros dele. Entendeu?
O índio disse que sim e desde aquele momento não mais lhe faltou caça. Era só atirar a flecha e zás! O bicho caía. Tornou-se o maior caçador de sua tribo. Por onde passava, era olhado com respeito e admiração.
Um dia, ele estava caçando com outros companheiros que não tinham mais palavras para elogiá-lo. O índio sentiu-se tão importante que, ao ver um bando de pássaros que se aproximava, esqueceu-se da recomendação do Curupira e atirou…
Matou somente um pássaro e, como o Curupira avisara, foi atacado pelo bando enlouquecido pela perda do companheiro.
De seus amigos, não ficou um: dispararam pela floresta, deixando-o entregue à própria sorte.
O pobre índio foi estraçalhado pelos pássaros. A cabeça estava num lugar, um braço no outro, uma perna aqui, outra longe… O Curupira ficou com pena dele. Arranjou cera e acendeu um fogo para derretê-la. Depois recolheu os pedaços do Caçador e colou-os com a cera. O índio voltou à vida e levantou-se:
- Muito obrigado! Não sei como agradecer-lhe!
- Não tem o que agradecer, respondeu o Curupira, mas preste atenção. Esta foi a primeira e ú1tima vez que pude salvá-lo! Não beba, nem coma nada que esteja quente! Se o fizer, a cera se derreterá e você também!
Durante muito tempo, o índio levou uma vida normal. Ninguém sabia do acontecido. Um dia, porém, sua mulher lhe serviu uma comida quente e apetitosa, tão apetitosa que o índio nem se lembrou que a cera poderia derreter-se. Engoliu a comida e pronto! Não só a cera se derreteu, mas também o próprio índio.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
O avô
Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes.
A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa.
O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.
- "Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai", disse o filho. Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.
Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha.
Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos.
Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.
O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava n o chão, manuseando pedaços de madeira.
Ele perguntou delicadamente à criança:
- "O que você está fazendo?"
O menino respondeu docemente:
- "Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer."
O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho.
Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos.
Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito.
Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.
Dali para frente e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família.
E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, o leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.
domingo, 7 de junho de 2015
O Burro de carga
No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de famoso palácio real um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias e remoques dos companheiros de apartamento.
Reparando-lhe o pelo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe, que se fizera detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso:
- Triste sina a que recebeste! Não Invejas minha posição nas corridas? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!
- Pudera! - exclamou um potro de fina origem inglesa - como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça?
O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.
Outro soberbo cavalo, de procedência húngara, entrou no assunto e comentou:
- Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável sofrendo rudemente nas mãos de bruto amansador. É tão covarde que não chegava a reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.
Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:
- Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco, inútil... Não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo limite; mas, se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência, pinoteio e sou capaz de matar.
As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças.
- Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade - informou o monarca -, animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.
O empregado perguntou:
Não prefere o árabe, Majestade?
- Não, não - falou o soberano -, é muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.
- Não quer o potro inglês?
- De modo algum. E’ muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.
- Não deseja o húngaro?
- Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.
- O jumento serviria? - insistiu o servidor atencioso.
- De maneira nenhum. É manhoso e não merece confiança.
Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou:
- Onde está o meu burro de carga?
O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.
O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho, ainda criança, para longa viagem.
***
Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a suportar, servir e sofrer, sem cogitar de si mesmos.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Jacaré com dor de dente.
Jacaré com dor de Dente???
Joca era um jacaré que se achava muito esperto.
Mas, desconfio que Joca não era tão esperto assim.
Certo dia, Joca acordou com uma terrível dor de dente.
Jacaré com dor de dente?
É pra você ver, até jacaré tem dor de dente.
A dor era terrível. Joca rolava pra lá e pra cá.
Se tentava comer:
_ aiaiaiaiaiaiaiai!
_ Dói demais
Se tenta beber:
_ uiuiuiuiuiuiuiui!
_ Como dói.
Joca estava desesperado, não sabia mais o que fazer, e até começou a chorar.
Jacaré também chora?
É pra você ver, até jacaré chora quando sente muita dor.
Foi aí que eu apareci.
Eu, o Dente!
Mas dente fala?
É pra você ver, o que a gente não faz para ajudar um amigo.
Mas voltando para a história, pulei da boca do Joca e lhe dei um sermão:
_Tá com dor de dente?
_Bem feito!
Joca me olhou com uma cara de: “Não estou entendendo nada!”
_ Você é o meu dente? Pergunta Joca.
Então, respondi
_ Sim! Sou seu dente e vim aqui fazer uma reclamação!
_ Você não cuida da gente!
Joca fez uma cara de sem graça, aquela que a gente faz quando fez algo de errado.
_ Mas, o que eu fiz pra merecer... aiaiaiaiauiuiuiui.... essa doooooooor. Disse Joca gemendo de dor.
Eu disse:
_ Joca, você não está cuidando dos seus dentes!
_ Não entendi! Disse Joca perplexo.
_ Eu como um montão de coisas.
Então, respondi:
_ Sim, e nós ajudamos. Cortando, rasgando e amassando toda essa comida, mas o que eu quero dizer é que você só come, come, come...!
_ E NÃO CUIDA DE NÓS!
Eu disse, gritando.
Dente também fica bravo?
É pra você ver. Até dente fica bravo às vezes,
mas voltando para a história...
Eu disse:
_ Sabe quem anda passeando nos seus dentes?
_Bactérias, tártaro, cáries!
A galera do mal que lentamente vão abrindo buraquinhos e estragando seus dentes.
Joca estava uma fera e gritou:
_ CADÊ ELES, CADÊ ELES? Me diz que eu pego todos eles. Sou muito esperto e vou acabar com essa galera do mal!
_ Bom! _Eu falei
_Você não tem nada de esperto Joca. Está deixando esses vilões acabarem com a gente!
_ Sabe Joca, esses inimigos dos dentes não são grandalhões.
_ NÃÃÃÃÃO??? Disse Joca surpreso.
Eu continuei...
_ São pequeniniiiiiiiiinhos, microscópios!
_ Não dá pra gente ver, mas estão lá, roendo os dentes sem parar!
_ Mas o que eu posso fazer para acabar com esses monstros? Ops! Monstrinhos? Perguntou Joca suplicando.
Respondi:
_ É fácil, Joca! É só chamar a galera do bem. Os super amigos dos dentes!
E dente tem super amigo?
É pra você ver.
Até dentes tem super amigos, mas voltando para a história...
_ Essa turma é imbatível!
_ Ah, é? E quem são eles? Me conta, me conta! Disse Joca muito curioso.
Esclareci:
_ O primeiro é o Dentista!
_ Vou te contar, esse é ô cara!
Ele cuida, trata, limpa e mantém os dentes sempre saudáveis e te dá dicas legais para cuidar dos dentes e adora receber sua visita. Mas às vezes a gente esquece-se de ir com frequência. O ideal e visitá-lo de seis em seis meses!
_ Mas onde encontro um desses? Indagou Joca.
_ Ah! É fácil! Eu te indico um ótimo, tem também garotas dentistas, são tão lindas!...
Quer dizer...
cuidadosas!
Continuei:
_ Mas, tem mais amigos do bem!
_ Tem o trio imbatível!
Eu acho que até que são os três mosqueteiros, tipo...
Um por todos!
E todos por Um!
Que dá um chega pra lá na galera do mal!
_ É? E quem são eles? Perguntou o curioso Joca.
_ Dona Escova, Seu Pasta de Dente e o Seu Fio Dental!
Nunca se separam, gostam de trabalhar em equipe.
Todos os dias, após as refeições eles entram em ação!
Continuei:
_ Dona Escova e Seu Pasta se juntam e limpam toda a sujeira que encontram no caminho, deixando os dentes limpos, brilhantes e com um cheirinho... booomm!
_ Mas e o Seu Fio? Indagou Joca.
_ Ah! Ele completa o serviço, limpando nos lugares mais difíceis, entre os dentes, onde Dona Escova e Seu Pasta não conseguem entrar.
_ É Jacaré, com os Três Mosqueteiros e seu amigo Dentista (ou amiga), não há galera do mal que resista. Seus dentes vão ficar incríveis, ou seja, eu vou ficar liiiiiiiindo!
Finalizei.
_ Puxa! Gostei das dicas! Disse Joca
Então, me despedi:
_ É isso aí, já vou indo! Se cuida jacaré!
E Joca me interrompeu:
_ Opa! Espere aí! Você disse que ia me indicar um Dentista!
_ Claro!
(mostra o cartão do dentista)
_ Alô! Por favor, aqui é o Joca, o jacaré, quero marcar uma consulta!
Mas, jacaré vai ao dentista?
É pra você ver, até jacaré vai ao dentista.
E você??
terça-feira, 2 de junho de 2015
O Rei que procura seu Sucessor
UM REI EM BUSCA DE SEU SUCESSOR
Augusto caminhava de um lado para o outro, em seu quarto, pensando o que seria de seu reino se um dia ele faltasse. Toda sexta-feira, ele costumava sair do castelo vestido de camponês, para juntar-se aos seus súditos e descobrir o que pensavam sobre ele e como esperavam que ele agisse. Ele já estava pronto para sair furtivamente do castelo, mas, em vez disso, continuava andando em círculos... De repente, ele teve uma ideia e parou de caminhar. Destrancou um enorme baú e retirou dele um pequeno saco de veludo repleto de moedas de ouro.
Naquela sexta-feira, em vez de caminhar pelas ruas como costumava fazer para passar despercebido e poder conversar e beber com os homens simples de seu povo, ele montou em um cavalo desprovido de ornamentos e cavalgou durante horas por lugares onde a miséria imperava. Quando ele viu um mendigo sujo e maltrapilho encostado em uma porta que nunca se abria porque as paredes ao seu redor já haviam desmoronado, ele parou, desceu do cavalo e sentou-se ao lado daquele homem que, em outra circunstância, teria lhe causado extrema repugnância.
O mendigo, sem suspeitar que Augusto fosse um rei, perguntou a ele se também estava desempregado. Augusto permaneceu calado, e ele começou a contar sua história. Disse que cozinhava muito bem, mas fora expulso do castelo simplesmente porque o chefe da cozinha real descobriu que ele costumava esconder sobras de comida para levá-las para sua família. Depois disso, ele não conseguiu mais encontrar emprego, e sua esposa o abandonou levando consigo as cinco crianças que eram a razão de sua existência.
Augusto aproveitou o momento em que o mendigo fez uma pausa para dizer: “Ouça, a partir deste momento, sua vida poderá mudar. A rua está deserta... Eu vestirei suas roupas, e você vestirá as minhas. Você subirá naquele cavalo e reconstruirá sua vida com o auxílio deste saco de moedas que estou depositando em suas mãos. Eu só lhe peço que nunca fale sobre esse nosso encontro a ninguém.”
Desconfiado, o mendigo perguntou: “É simples assim?!... Não me pedirá nada em troca?!... Quem é você?!...” Augusto disse: “O meu nome, eu não posso lhe revelar. Só necessito que me diga o nome do homem que você considera mais honesto neste reino.” O mendigo respondeu: “Josivaldo. Ele sempre vem aqui, pouco antes do anoitecer, para me trazer algo para comer. Eu só não morri graças a ele.”
Depois que o ex-mendigo montou no cavalo e partiu, Augusto continuou ali sentado, sendo alvo das reações que sua presença causava nos transeuntes. Uma criança ameaçou aproximar-se dele, para entregar-lhe um pedaço do doce que estava comendo, mas a mãe ralhou com ela e puxou-a pelo braço. O tempo parecia ter parado... Os minutos pareciam horas... E, em meio a tantos pensamentos, havia uma pergunta que o incomodava: “Por que escolher um desconhecido para ocupar o trono, em vez de me casar e entregar a coroa ao meu filho?!...” Essa pergunta já o atormentara antes, mas o que ele poderia fazer se não conseguia se apaixonar?!...
Augusto estava tão imerso em seus pensamentos que se assustou quando ouviu alguém perguntar: “Você viu para onde foi o mendigo que costuma sentar-se aqui?!... Eu estou com um pouco de pressa porque minha irmã me espera para o jantar. Você poderia entregar este pão e estas frutas a ele?!... Coma uma fruta, se desejar.” O homem surpreendeu-se quando ouviu Augusto perguntar: “O seu nome é Josivaldo?!... Conte-me tudo sobre você.” Augusto sorriu quando o ouviu dizer: “O mendigo nunca me disse o nome dele, mas, agora, percebo que ele prestou atenção quando eu disse o meu. Se você é amigo dele, considere-se meu amigo também. Você parece mais aberto ao diálogo do que ele. Lamento não ter conseguido fazer nada por ele. Mas deixe-me reparar isso, fazendo algo por você. Venha até a minha casa. Você poderá se banhar, colocar roupas limpas e comer uma saborosa refeição.”
Augusto, como era de se esperar, aceitou o convite. Enquanto caminhavam, Josivaldo contou sua história. Ele era alfaiate, e morava sozinho em uma casa simples. Ele estava ansioso para voltar para casa porque era sexta-feira. Apenas às sextas-feiras, a irmã dele tinha autorização de deixar o palácio para visitá-lo. Nos outros dias da semana, ela costurava para as damas da corte. Sem suspeitar que estivesse falando com o rei, Josivaldo terminou o relato sobre sua irmã dizendo: “Adélia vive fora desta realidade. Embora ela pareça lúcida, é muito sonhadora!... Ela já me disse que não pretende se casar porque o seu coração pertence ao rei. Ela o ama imensamente, e ele nunca olhou para ela!... Duvido mesmo que ele saiba que ela existe. Como pode o amor ser tão desumano?!...”
Quando Augusto e Josivaldo entraram e cumprimentaram Adélia, ela se deteve contemplando o rosto de Augusto e disse delicadamente: “Nós acabamos de nos conhecer, e eu tenho a impressão de que o conheço há muito tempo. Você se parece muito com alguém que... Meu Deus, o que estou dizendo?!... Você deve estar faminto. O meu irmão lhe mostrará onde fica o banheiro para que você possa se livrar dessas roupas e tomar um banho. Enquanto vocês se aprontam para o jantar, eu colherei algumas flores para enfeitar a mesa.”
Acreditem: foi amor à primeira vista. O rei Augusto nunca havia reparado em Adélia porque, certamente, jamais tivera a oportunidade de olhar para ela. Eram tantas as jovens que o cercavam, e ele passava o tempo todo inventando desculpas para esquivar-se!... Mas, naquele momento mágico, Augusto viu, no rosto de Adélia, a face do verdadeiro amor. Durante o jantar, ele revelou sua identidade e explicou o motivo que o levara a agir de modo tão estranho. Em seguida, ele pediu a mão de Adélia em casamento. E os três brindaram à felicidade do jovem casa
Assinar:
Comentários (Atom)