sexta-feira, 17 de abril de 2015

As flores e a velhinha

Um homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica. Todos os dias, ele pegava o ônibus e viajava cinqüenta minutos até o trabalho. À tardinha, fazia a mesma coisa voltando para casa. No ponto seguinte ao que o homem subia, entrava uma velhinha, que procurava sempre sentar à janela. Abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus. Um dia, o homem reparou na cena. Ficou curioso. No dia seguinte, a mesma coisa. Certa vez, ele sentou-se ao lado da velhinha e não resistiu: — Boa-tarde. Desculpe a curiosidade, mas o que a senhora está jogando pela janela? — Boa-tarde, respondeu a velhinha. Jogo sementes. — Sementes? Sementes de quê? — De flor. É que eu viajo neste ônibus todos os dias. Olho para fora e a estrada é tão vazia. Gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho... Imagine como seria bom. — Mas a senhora não vê que as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos? A senhora acha que essas flores vão nascer aí, na beira da estrada? — Acho, meu filho. Mesmo que muitas sejam perdidas, algumas certamente acabam caindo na terra e, com o tempo, vão brotar. — Mesmo assim, demoram para crescer, precisam de água... — Ah, eu faço minha parte. Sempre há dias de chuva. Além disso, apesar da demora, se eu não jogar as sementes, as flores nunca vão nascer. Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu "trabalho". O homem desceu logo adiante, achando que a velhinha já estava meio caduca. O tempo passou... Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto: olhou para fora e viu margaridas na beira da estrada, hortênsias azuis, rosas, cravos, dálias... A paisagem estava colorida, linda. O homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e acabou perguntando para o cobrador, que conhecia todo mundo. — A velhinha das sementes? Pois é, morreu de pneumonia no mês passado. O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela. "Quem diria, as flores brotaram mesmo", pensou. "Mas de que adiantou o trabalho da velhinha? A coitada morreu e não pôde ver esta beleza toda." Nesse instante, o homem escutou uma risada de criança. No banco da frente, um garotinho apontava pela janela entusiasmado: — Olha, mãe, que lindo, quanta flor pela estrada... Como se chamam aquelas azuis? Então, o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, ela devia estar feliz. Afinal, tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas. No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentouse numa janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso... Autor Desconhecido

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